Sobre velas e outras coisas que aquecem
- Fernanda Costa
- há 2 dias
- 8 min de leitura

Quando eu era criança, vela era coisa séria.
Ou era ritual / velório, aniversário ou falta de luz… era algo que os meus adultos acendiam com uma certa reverência que me deixava com medo de chegar perto. Então eu fiquei longe delas por muito tempo.
Aí, como vocês já estão carecas de saber, veio o burnout… e, com ele, a Disá.
A Disá nasceu de um lugar que eu precisava criar pra sobreviver. Um refúgio. Não só pra mim, mas pra qualquer pessoa que também estivesse precisando descansar um pouco do mundo.
E foi nesse processo que as velas entraram na minha vida de um jeito que eu não esperava.
Porque tem uma coisa curiosa sobre casa: às vezes ela tá limpa, bonita, organizada… e ainda assim não parece acolhedora. Falta sensação. Falta colo.
E eu fui percebendo como pequenas coisas mudavam completamente a forma como meu corpo reagia aos ambientes. Uma luz mais baixa no fim da tarde. Um cheiro confortável. Silêncio. Vento entrando pela janela. O barulho das plantas mexendo. E uma chama acesa.
Não sei vocês, mas eu acho que existe uma coisa quase viva no fogo. Você olha pra uma vela e ela nunca fica parada. Ela dança, oscila, respira.
Em dias frios, acender uma vela muda o clima da casa inteira. Não só a temperatura, mas a sensação.
Em dias quentes, é o aroma que faz o trabalho, aquela fragrância leve entrando junto com o vento pela janela… e eu me apaixonei por isso. Meu corpo aprendeu que essa sensação é cuidado, desacelero.
Acho que a gente passa muito tempo tentando cuidar da mente sem olhar pro espaço onde vive. Mas os lugares influenciam tudo: humor, ansiedade, descanso, sensação de segurança.
Tem ambiente que deixa a gente em alerta o tempo inteiro. E tem ambiente que regula o corpo sem a gente perceber. Estudos e estudos sobre a psicologia das cores, aromas e afins estão aí pra provar isso, mas esse não é um texto técnico, é um texto de alma.
Pra mim, as velas viraram um pouco isso. Coisa pra alma.
Não como objeto de decoração pinterestável, mas como ritual mesmo.
Um jeito de avisar pro meu corpo que agora ele pode desacelerar um pouco.
Hoje eu não consigo imaginar minha casa sem elas.
E já que eu aprendi algumas coisas nesse caminho, deixa eu compartilhar um pouco desse universo com vocês. E sim, vou fazer meu jabá no meio do texto também. A Disá nasceu pra cuidar de gente, mas infelizmente o fornecedor de cera ainda não aceita pagamento em boas intenções haha.
Se a Disá nasceu tentando cuidar de gente cansada, as velas também precisavam fazer isso. Certo?
Foi assim que nasceram as quatro.
Cada uma inspirada num elemento da natureza.
Não porque eu acredito que um aroma vai mudar sua vida magicamente.
Mas porque acredito que pequenas experiências ajudam nosso corpo a entrar em estados diferentes.
Tem dias em que a gente precisa da leveza da água.
Outros pedem o acolhimento da terra.
Tem dias que a gente quer o calor do fogo.
E dias em que tudo o que falta é um pouco de ar.

Foi pensando nessas sensações que nasceram Oceano, Floresta Densa, Ágata e Brisa.
Não como quatro cheiros.
Mas sim como quatro atmosferas.
Quatro convites diferentes pra sentir.
Uma coleção de aromas inspirados nos elementos essenciais.
Cada fragrância representa uma energia, um estado e um ritual.
Oceano | Elemento Água

A Oceano nasceu depois do nosso fim de ano em Ubatuba, em 2025. Eu fiquei pensando no poder que o mar tem de colocar as coisas no lugar. Entrar na água parece levar embora um pouco do peso que a gente vem carregando. O corpo desincha, a cabeça desacelera, o ar parece mais limpo e, de alguma forma, os problemas ficam menores. Eu queria transformar essa sensação em uma vela. Por isso, a Oceano tem uma família olfativa aromática fresca, com notas minerais e aquáticas que lembram a brisa do mar, roupas secando ao vento e a sensação de janela aberta. É uma fragrância leve, limpa e silenciosa, perfeita para começar o dia, renovar os ambientes ou simplesmente respirar um pouco melhor depois de um dia difícil.

Ágata | Elemento Fogo
A Ágata sempre me salva nos dias frios. É a vela que eu acendo quando quero que a casa abrace de volta. Sabe aquela sensação de quem acende uma lareira, faz um chá ou se enrola numa manta pra desacelerar? Ela nasceu pensando nisso. Sua família olfativa ambarada quente combina notas envolventes e um toque delicadamente adocicado, criando um ambiente íntimo, confortável e silencioso. É a vela que eu escolho pra uma noite de leitura, um filme no sofá ou simplesmente pra deixar a casa com cara de lar. Tem cheiro de calor, de aconchego e daqueles dias em que a gente finalmente consegue respirar sem pressa.

Brisa | Elemento Ar
A Brisa nasceu daquela sensação gostosa de terminar a faxina, abrir todas as janelas da casa e deixar o vento fazer o resto. O cheiro de limpeza se mistura com o ar fresco, a cortina balança, a luz entra e, pela primeira vez no dia, você senta no sofá e pensa: "agora sim". É exatamente essa sensação que eu queria colocar dentro de um pote. Com sua família olfativa cítrica herbal, Brisa perfuma o ambiente de forma leve e natural, trazendo frescor, energia e uma deliciosa sensação de casa limpa e respirando. É a vela que eu mais gosto de acender durante o dia, depois de arrumar a casa ou quando preciso renovar o ambiente e a cabeça ao mesmo tempo.

Floresta Densa | Elemento Terra
Essa é a minha preferida. Sempre que a vida fica barulhenta demais, eu tenho vontade de fazer exatamente a mesma coisa: pegar o carro, encontrar uma trilha, um pedaço de mata ou qualquer lugar onde só dê pra ouvir o vento nas árvores. A natureza sempre teve esse efeito em mim. Ela coloca meus problemas na proporção certa. Lembra que existe um mundo muito maior do que as preocupações que estavam ocupando a minha cabeça cinco minutos atrás. Foi dessa sensação que nasceu a Floresta Densa. Sua família olfativa amadeirada verde mistura notas terrosas e vegetais que lembram mata úmida, madeira e folhas. É uma vela profunda mas não pesada, acolhedora e estável, feita para aqueles dias em que tudo o que a gente precisa é voltar pra casa — não necessariamente a casa onde mora, mas aquele lugar interno onde finalmente consegue respirar.
Se você nunca teve uma vela artesanal, ou já teve mas nunca soube muito bem como cuidar dela, deixa eu te passar algumas dicas que fazem bastante diferença:
🕯️ Nem toda vela é aromática.
Essa talvez seja a maior surpresa. Tem vela que é perfumada: você abre a tampa, sente um cheiro gostoso, mas quando acende... quase não perfuma o ambiente.
Uma vela aromática é projetada justamente para exalar durante a queima. E isso depende de muita coisa: da qualidade da essência, da porcentagem utilizada, da cera escolhida, do pavio, da temperatura em que essa essência foi adicionada e até do tempo de cura da vela antes de chegar na sua casa.
É por isso que duas velas com o mesmo cheiro podem ter desempenhos completamente diferentes.
🕯️ A cera faz diferença, mas não do jeito que muita gente imagina.
Muita gente acha que basta colocar uma essência boa e pronto.
Não funciona assim. A cera é o veículo que vai carregar e liberar essa fragrância durante toda a queima.
Na Disá nós escolhemos trabalhar com cera vegetal porque ela tem uma queima mais lenta, limpa e uniforme. Ela costuma durar mais que uma vela de parafina equivalente e entrega uma experiência muito mais agradável ao longo do tempo.
Ela também é uma matéria-prima mais cara, o que explica parte da diferença de preço entre uma vela artesanal de qualidade e aquelas velinhas industrializadas que encontramos por aí.
🕯️ Fazer uma vela boa é muito mais técnico do que parece.
Essa parte quase ninguém vê.
Cada essência tem uma temperatura ideal para ser incorporada à cera.
Se ela entrar cedo demais, parte das moléculas aromáticas evapora antes da vela ficar pronta.
Se entrar fria demais, ela pode não se ligar corretamente à cera.
Depois disso ainda vem o tempo de cura, a escolha do pavio e vários testes até encontrar uma combinação que realmente funcione.
Por isso eu sempre digo: fazer vela não é só derreter cera e colocar cheiro. É quase uma receita de confeitaria. Se errar o ponto, muda tudo. Por isso, aqui na Disá, cada vela é feita uma a uma, respeitando o tempo de cada etapa, desde a temperatura ideal da cera até o tempo de cura.
Dá mais trabalho? Dá. Mas é justamente esse cuidado que faz ela perfumar melhor, queimar de forma mais uniforme e durar muito mais.
🕯️ Nem todo aroma foi feito para perfumar a casa inteira.
Isso também é importante saber.
Cada família olfativa tem um comportamento diferente.
Um Chá Branco costuma ser delicado, elegante e ficar mais próximo de quem está usando o ambiente.
Já um Café, uma Baunilha ou uma Canela têm moléculas naturalmente mais intensas e conseguem perfumar ambientes maiores.
Não significa que um seja melhor.
Só significa que eles contam histórias diferentes.
🕯️ A primeira queima decide a vida da sua vela.
Quando acender pela primeira vez, espere a cera derreter até alcançar toda a borda do vidro.
Dependendo do tamanho da vela isso pode levar entre duas e três horas.
Se apagar antes, ela cria o famoso "túnel" e passa a desperdiçar toda a cera das laterais.
🕯️ Sempre apare o pavio.
Antes de acender novamente, corte o pavio e deixe cerca de meio centímetro.
A chama fica mais bonita, a vela produz menos fumaça, evita fuligem no vidro e a queima acontece de forma muito mais uniforme.
🕯️ Evite apagar soprando.
Quando a gente sopra, além daquela fumaça preta tomar conta do ambiente, o pavio carboniza mais rápido. Se tiver um abafador, ótimo.
Se não tiver, pode usar a própria tampa da vela por alguns segundos ou mergulhar delicadamente o pavio na cera derretida e levantá-lo novamente.
Parece detalhe, mas faz diferença na próxima queima.
No fim...
Mas, no fundo, o que eu queria te dizer nem era sobre cera, pavio ou fragrância.
Era sobre cuidado.
Depois do burnout, eu descobri que a gente passa muito tempo procurando grandes soluções para problemas enormes, quando, muitas vezes, é o pequeno que começa a reorganizar a gente por dentro.
Uma janela aberta levantando as cortinas.
O cheiro de café que meu marido passa de manhã.
O vento balançando minhas plantas.
Uma vela acesa.
Nenhuma dessas coisas resolve a vida.
Mas elas lembram o nosso corpo de uma coisa muito importante: que ele está seguro.
Que pode respirar um pouco mais devagar.
Que nem todo dia precisa ser sobrevivência.
Espero que, mais do que comprar uma vela, esse texto te inspire a criar pequenos rituais de cuidado.
Porque, no fim, o objeto é só uma ferramenta.
O que importa é construir um lugar onde você consiga sentir que finalmente chegou em casa!
E se você leu tudo isso e pensou "acho que preciso de uma dessas", elas estão esperando por você lá no site da Disá.
A gente parcela (porque cuidar da saúde mental já é caro o suficiente, né? haha) e, como são feitas com cera vegetal e uma queima mais lenta, elas rendem bastante.
Espero de verdade que elas consigam levar um pouquinho desse aconchego pra sua casa também.🤎



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