Como o exercício impacta sua saúde mental.
- Dr. Rafael Pedro

- há 2 dias
- 4 min de leitura

Oi, minha querida ou querido leitor desse blog! Como você está?
Hoje eu vim falar pra vocês de um assunto que eu considero essencial na vida de quem tá tentando viver bem e cuidar da saúde mental: o exercício físico. Eu sempre achei curioso como a gente tem essa ideia de separar corpo e mente como se fossem coisas diferentes.
Como se ansiedade fosse “da cabeça”, estresse fosse “emocional” e o corpo estivesse ali só carregando tudo isso quietinho. Mas, assim como eu, quem já passou semanas sem dormir direito, cansada, tensa, acelerada ou triste sabe que uma coisa atravessa a outra o tempo inteiro.
Nos últimos anos, falar sobre saúde mental deixou de ser tabu em muitos espaços, mas ainda existe uma dificuldade enorme em entender que nosso estilo de vida também participa disso. Sono, alimentação, ambiente, rotina, relações e movimento influenciam diretamente a forma como nosso cérebro e nosso corpo funcionam.
Mas eu não sou especialista no assunto pra falar disso com vocês.
No máximo, vocês podem contar com meu testemunho e experiência empírica de como movimentar meu corpo melhora demais minha saúde mental.
Por isso convidei o Rafael Pedro para bater um papo com vocês, ele é doutor em Educação Física pela Universidade Estadual de Maringá, com atuação na área de fisiologia do exercício. Seus estudos são voltados principalmente aos impactos do exercício físico na saúde e qualidade de vida.
Esse definitivamente não é um papo superficial de “vai treinar que passa”. É uma conversa séria sobre o que a ciência realmente vem mostrando a respeito da depressão, da ansiedade e do papel da atividade física na saúde mental. Espero que gostem <3
E se tiverem mais dúvidas ou quiserem apoio nessa jornada, vou deixar os contatos do Rafa pra vocês conversarem com ele! Beijos, Fer.
“O Sol há de brilhar mais uma vez
A luz há de chegar aos corações
Do mal será queimada a semente
O amor será eterno novamente”.
Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, 1973.
Na canção, Juízo Final, gravada em 1973, Nelson Cavaquinho retrata a esperança de que dias melhores virão. No entanto, no mundo atual, diversas mazelas assolam os seres humanos: insegurança alimentar, falta de condições mínimas de subsistência, trânsito, poluição, aquecimento global, guerras, entre outros fatores. Diante disso, o desfecho de "dias melhores" parece estar cada vez mais distante, impactando negativamente a nossa saúde e qualidade de vida — com destaque para a saúde mental.
A Organização Mundial da Saúde estima que 5,7% da população sofre de depressão, sendo que as mulheres são as mais afetadas. Dados de outros estudos apontam que a depressão e a ansiedade desafiam a saúde global e afetam entre 7 e 25% da população mundial.
Essas condições extrapolam os problemas psicológicos e impactam a família, o convívio social, a saúde física e os sistemas de saúde.
Depressão e ansiedade são distúrbios de ordem multifatorial e o resultado da interação de fatores comportamentais, sociais, biológicos e psicológicos, sendo que, eventos do nosso dia a dia provavelmente estão relacionados com o desenvolvimento da depressão e da ansiedade.
Essas doenças necessitam de diagnóstico e tratamentos especializados. Entre os fatores que influenciam o prognóstico da doença, há um que gostaria de discutir neste texto: o papel do exercício físico no tratamento de sintomas de depressão e ansiedade.
O exercício físico tem um papel fundamental nas nossas vidas servindo como fator de proteção e tratamento de várias doenças da modernidade, as ditas doenças crônicas não comunicáveis (DCNCs), como hipertensão arterial, diabetes do tipo 2, alguns tipos de câncer, doenças cardíacas, entre outras.
Além das DCNCs, há evidências científicas consistentes de que o exercício físico exerce um papel positivo nos sintomas de depressão e ansiedade.
Um artigo científico recente de revisão de metanálises, publicado na revista British Journal of Sports Medicine no mês de abril de 2026, demonstrou que o treinamento físico é uma intervenção efetiva para a redução de sintomas de depressão e ansiedade. Os principais resultados do estudo demonstraram que o exercício físico tem se mostrado efetivo para toda a população, especialmente para jovens adultos de 18 a 30 anos de idade.
Diversas modalidades de exercícios físicos como exercícios aeróbios, treinamento com pesos, exercícios para corpo e mente e a combinação de diferentes tipos de exercícios são efetivos, porém os melhores resultados foram provenientes dos exercícios aeróbios (por exemplo, corridas e caminhadas).
Além disso, os exercícios sob supervisão profissional e em grupos foram os mais efetivos, o que sugere que o componente social tem um papel importante nos efeitos benéficos do exercício físico nos sintomas de depressão e ansiedade. A sensação de pertencimento a um grupo pode ser muito importante para a nossa saúde mental.
Os resultados deste estudo e análises de outros estudos demonstram que os efeitos positivos do exercício físico sobre os sintomas de depressão e ansiedade são comparáveis aos efeitos dos tratamentos farmacológicos e psicoterápicos, o que faz com que o exercício físico possa ser potencialmente utilizado como primeira linha de tratamento dessas doenças devido ao seu custo-benefício.
Em resumo, a literatura científica sustenta que o treinamento físico é uma intervenção viável para tratar sintomas de depressão e ansiedade em diferentes grupos populacionais.
No entanto, a base para uma prescrição clínica clara — controlando variáveis como frequência, intensidade, duração e tipo — ainda é limitada. Isso não significa, porém, que sua adoção no dia a dia não deva ser estimulada e incorporada, de preferência sob supervisão profissional.
O objetivo deste texto é demonstrar que o exercício físico é muito importante para a nossa saúde mental e deve ser incorporado no nosso dia a dia, mas ele não tem a intenção de estimular a descontinuidade de nenhum tratamento, muito menos o diagnóstico e tratamento por profissionais como médicos e psicoterapeutas.
E assim, mesmo em meio às mazelas do mundo, o exercício físico pode ser um dos caminhos para que os dias melhores, escritos por Nelson Cavaquinho, enfim cheguem.

Texto elaborado por Rafael Pedro - CREF 020965-G/PR.
Rafael possui doutorado em Educação Física na área de fisiologia do exercício pela Universidade Estadual de Maringá.
Contatos do Rafa:
Referências: Munro, N. R., Teague, S., Somoray, K., Simpson, A., Budden, T., Jackson, B., ... & Dimmock, J. (2026). Effect of exercise on depression and anxiety symptoms: systematic umbrella review with meta-meta-analysis. British Journal of Sports Medicine, 60(8), 590-599.



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