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Por que a ciência pesquisou mais calvície do que endometriose? Quando dor feminina recebe menos atenção que estética masculina.

  • Foto do escritor: Fernanda Costa
    Fernanda Costa
  • 12 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 26 de mai.

Sim, você leu certo.


A endometriose afeta 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva. São cerca de 190 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde estima entre 5% e 15% das mulheres convivendo com a condição — e o diagnóstico, quando vem, leva em média de 7 a 10 anos para chegar.


Anos. Não meses. Anos de dor sendo tratada como normalidade.


E não é só o tempo que pesa. Uma pesquisa recente do Instituto Ipsos mostrou que 77% das mulheres diagnosticadas com endometriose já tiveram seus sintomas minimizados ou desconsiderados. Sabe por quem? Principalmente pela família — e por ginecologistas.


Pelos próprios médicos que deveriam ser o primeiro lugar seguro.


Enquanto isso, 4 em cada 10 mulheres brasileiras não conhecem sequer os detalhes básicos sobre a doença. E 30% nunca buscaram nenhuma informação sobre o tema. Não porque não se importam — mas porque ninguém nunca disse a elas que aquela dor merecia atenção.


A calvície masculina, uma condição estética sem incapacidades reais, continua recebendo mais atenção científica e financiamento do que uma doença que pode comprometer intestino, bexiga, ovários, fertilidade e a qualidade de vida inteira de uma mulher.


Por quê?


Porque a dor feminina ainda é tratada como algo que se deve aguentar. Cólica intensa, dor pélvica crônica, dificuldade para engravidar — tudo isso é descartado como “normal”. E a mulher aprende, desde cedo, a não reclamar demais.


Tem outro dado que não sai da minha cabeça: os atendimentos relacionados à endometriose no SUS cresceram 76% entre 2022 e 2024. Isso não significa necessariamente que a doença aumentou. Significa que as mulheres estão, finalmente, chegando. Estão buscando. Estão recusando o silêncio.


Mas as barreiras ainda são enormes. 41% das usuárias do SUS enfrentam longas filas só para conseguir uma consulta com especialista. Procedimentos mais complexos, como a cirurgia por videolaparoscopia, foram ofertados a 20% das pacientes do sistema público — contra 55% na rede privada.

A desigualdade não é só de diagnóstico. É de acesso, de renda, de quem o sistema decide ouvir.


A endometriose não é rara. Ela é negligenciada.


E negligenciar a dor de uma mulher tem nome: é um problema de saúde pública.

É estrutural.

É urgente.


A Disá nasceu de um burnout. De um corpo que chegou no limite e pediu parada. E o que eu aprendi nesse processo é que cuidar de si não é frescura — é resistência.


É político. É o primeiro gesto de uma mulher que decide que não vai mais aceitar menos do que merece.


É por isso que esse espaço existe. Para dar nome ao que se sente.

Para questionar a “normalidade” que nos foi imposta.

Para lembrar que autocuidado, quando o mundo insiste em nos deixar em último lugar, é um ato revolucionário.


Você já teve sua dor desacreditada?

Já sentiu que precisava explicar demais para ser vista e ouvida?


Aqui, o espaço é seu.

 
 
 

Comentários


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